“É impossível que Deus me perdoe, tenho cometido grandes pecados!”

“Nunca recusarei aquele que vem a mim”. Então ouvirás, no meio do teu pranto, as grandes palavras de vida que ressuscitaram Madalena e a tornaram a admirável Santa Maria Madalena.


Monsenhor de Ségur | Por Pascom · 27 de março de 2018


RESPOSTA. — É impossível que Deus te perdoe? Pobre alma, que não conhece o coração de Jesus Cristo.

Diga-me: tu tens mais pecados que a Madalena? Madalena, a mulher de má vida. Madalena, a pecadora pública. Madalena, que todos repeliam, como se só o seu contato fosse uma mancha? — Já não recordas de sua história?

O bom Jesus tinha sido convidado, para jantar, em casa de Simão o Fariseu. Estava à mesa, estendido segundo o costume dos judeus. Uma mulher entra na sala, lança-se aos pés do Salvador, e sem dizer coisa alguma, mas chorando, abraça seus pés sagrados, banha-os com suas lágrimas, e beija-os repetidas vezes… O Fariseu reconhece-a: é Madalena, a pecadora! “Se este homem fosse o Filho de Deus”, diz ele em seu coração, “saberia que esta mulher é uma miserável!…” Jesus, ciente dos seus pensamentos, lhe diz: “Simão, tenho algo para te dizer.” — “Mestre”, responde o Fariseu, “falai”. — “Um homem tinha dois devedores; um devia-lhe quinhentas moedas de ouro, o outro cinqüenta. Ele perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?” — “Sem dúvida”, responde Simão, “aquele a quem perdoou a maior dívida”. “Tens razão”, diz Jesus Cristo. E, voltando-se para Madalena: — “Vê esta mulher? Quando entrei em tua casa, não me deste o ósculo de paz; e ela, desde que aqui entrou, não cessou de beijar os meus pés. Tu não me ofereceste água para me purificar, segundo o costume; e ela tem-me coberto de suas lágrimas… Em verdade, em verdade te declaro, que muitos pecados lhe são perdoados porque me amou muito.”

Depois, sem mais se inquietar com os murmúrios do orgulhoso fariseu:

“Mulher”, diz ele à Santa Madalena, “vai em paz e não peques mais”.



“Nunca recusarei aquele que vem a mim”.


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E, depois deste exemplo, ainda te desesperas da bondade de Deus?… Oh! não; o coração do teu Salvador é sempre o mesmo. Ele te espera com maravilhosa afabilidade. Vai, vai te lançar aos seus pés; vai chorar as tuas culpas. Elas são grandes, é verdade; porém ainda maior é a Sua bondade. O mesmo Senhor o declarou por seus divinos lábios. “Nunca recusarei aquele que vem a mim” (Lc 6, 37).

Lembre a Ele os padecimentos que por ti suportou; recorde-O do seu presépio, sua pobreza e sua agonia, a sua paixão, a sua coroa de espinhos, a sua flagelação, a sua cruz e sua morte… Lembre-O de sua Mãe, essa Mãe que precisamente deu para ti, para ser junto d’Ele a tua advogada, o teu refúgio e a tua esperança…

Depois, com o arrependimento no coração, vai ter com o ministro do perdão, o juiz de misericórdia, o confessor… Pede a ele indulgência e socorro. Ele os dará, esteja certo disso: porque Deus quer que ele os dê sempre e a todos. Então, em breve ouvirás, no meio do teu pranto, as grandes palavras da vida eterna que ressuscitaram Madalena, a pecadora, palavras que a tornaram a admirável Santa Maria Madalena:

“Os teus pecados te são perdoados; levanta-te e não peques mais”.

Em — Monsenhor de Ségur, ‘LX – Eu tenho feito grandes pecados, é impossível que Deus me perdoe’, Perguntas e respostas (Porto, Moderna, 1946), pp. 172-174. — Adaptado.


Monsenhor de Ségur

Bispo francês (1820-1881), escritor apologético, confessor do Papa Pio IX

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