Sobre o valor do tempo

“Filho”, diz o Espírito Santo, “observa o tempo” (Eclo 4, 23). Filho, aprende a preservar o tempo, que é a maior e mais preciosa dádiva que Deus pode te conceder.


Santo Afonso de Ligório | Tradução Equipe Pascom · 10 de abril de 2018


“Ainda um pouco de tempo, e já não me vereis” (Jo 16, 16)

NADA é mais breve que o tempo e, no entanto, nada é mais valioso. Nada é mais breve que o tempo: porque o passado já não é mais; o futuro é incerto; e o presente, não mais que um momento. Foi com esta intenção que Jesus disse: “Ainda um pouco de tempo, e já não me vereis”.

Podemos dizer o mesmo da nossa vida que, segundo São Tiago, não é mais que um vapor que se dissipa para sempre: “Pois que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um instante e depois se desvanece” (Tg 4, 14). Mas o tempo desta vida é tão precioso quanto ele é curto; pois se a cada momento o gastamos bem, podemos adquirir tesouros de méritos para o céu; mas se o empregamos mal, podemos cometer pecados a cada instante, e merecer o inferno.

Planejo hoje mostrar-vos quão precioso é cada instante que Deus nos dá, não para perdê-lo, mas para fazer boas obras e salvar nossas almas:

PRIMEIRO PONTO

Eis o que diz o Senhor: no tempo da graça eu te atenderei, no dia da salvação eu te socorrerei” (Is 49, 8). São Paulo explica esta passagem dizendo que o tempo da graça é aquele em que Deus determinou conceder-nos os Seus favores. Então ele acrescenta: “Agora é o tempo favorável; agora é o tempo da salvação” (2 Cor 6, 2). O Apóstolo exorta-nos a não gastar inutilmente o tempo presente que ele chama de “o dia da salvação”; talvez porque, depois deste dia da salvação, já não haja salvação para nós. “O Tempo”, diz o mesmo Apóstolo, “é curto; o que importa é que … os que choram, vivam como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem” (1 Cor 7, 29-31). Portanto, se breve é o tempo que temos para permanecer nesta terra, aos que choram o Apóstolo diz que não chorem, pois suas tristezas hão de passar em breve; e àqueles que se rejubilam, que não fixem sua afeição em suas alegrias, porque em breve elas terão fim. Assim, conclui que devemos usar deste mundo, não para desfrutar dos seus bens transitórios, mas para merecer a vida eterna.

SEGUNDO PONTO

“Filho”, diz o Espírito Santo, “observa o tempo” (Eclo 4, 23). Filho, aprende a preservar o tempo, que é a maior e mais preciosa dádiva que Deus pode te conceder.

São Bernardino de Sena ensina que o tempo é tão valioso quanto Deus, porque em cada momento de tempo bem gasto a posse de Deus é merecida. Ele acrescenta que, a cada instante de sua vida, o homem pode obter o perdão dos seus pecados, a graça de Deus e a glória do Paraíso. (“Modico tempore potest homo lucrari gratiam et gloriam.”) […]


S. Afonso de Ligório, ‘On the value of time’, em Sermons for all the Sundays in the Year [Sermões para todos os domingos do ano]. Dublin: James Duffy, 1882, pp. 174-175. Sermão para o 3.º Domingo da Páscoa. — Excerto; tradução Equipe Pascom.


 

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