A impureza é um pequeno mal?

Deus ama a pureza com amor infinito e, em conseqüência, tem ódio infinito à sensualidade que dizem ser “um pequeno mal”.


Santo Afonso de Ligório | Tradução Equipe Pascom · 25 de abril de 2018


SÃO TOMÁS ensina que o pecado mortal, por ser um insulto dirigido a um Deus Infinito, contém uma certa infinitude de malícia: “Um pecado cometido contra Deus contém uma certa infinitude, por causa da infinitude da Majestade Divina” (Suma teológica, par. 3, q. 1, art. 2, ad. 2).

O pecado mortal é um pequeno mal?

É pois um mal tão grande, que se todos os anjos e todos os santos, os Apóstolos, os mártires e mesmo a Mãe de Deus oferecessem todos os seus méritos para reparar um único pecado mortal, o sacrifício não seria suficiente. Sim; pois esta reparação ou satisfação seria finita; mas o débito contraído pelo pecado mortal é infinito, por causa da infinita Majestade de Deus que foi ofendida.

O ódio que Deus tem aos pecados contra a pureza vai muito além da medida. Se uma senhora vê seu prato sujo, ela fica desgostada e recusa comer. Agora, com que desgosto e indignação Deus (que é a própria Pureza) não deve olhar as impurezas imundas pelas quais suas leis foram violadas? Ele ama a pureza com amor infinito; e, em conseqüência, tem ódio infinito à sensualidade que os lascivos e os voluptuosos dizem ser um pequeno mal. Mesmo os demônios, que no céu pertenciam a uma alta hierarquia antes de sua queda, desdenham de tentar os homens a cometerem pecados da carne.

“Santa Maria Madalena” por Carlo Dolci

São Tomás diz (lib. 5, de Erud. Princ., c. li.) que Lúcifer, que se supõe o demônio que tentou Jesus no deserto, tentou-O a cometer outros pecados, mas desdenhou tentá-Lo a ofender a castidade. Este pecado é um pequeno mal? É um pequeno mal ver um homem, dotado de uma alma racional e enriquecido com tantas graças divinas, conduzir-se pelo pecado da impureza no grau de um bruto?

“Fornicação e prazer”, diz São Jerônimo, “pervertem o entendimento e transformam os homens em bestas” (Oseam, cap. 4). Nos voluptuosos e incastos verificam-se literalmente as palavras de Davi: “E o homem, constituído em honra, não o entendeu; foi comparado aos animais sem razão, e tornou-se semelhante a eles” (Sl 48, 13). São Jerônimo diz que não há nada mais vil ou degradante do que se deixar conquistar pela carne: “Nihil vilius quam vinci a carne”.

É pequeno mal esquecer-se de Deus e bani-lo da alma, pelo prazer de dar ao corpo uma satisfação vil, da qual, quando ela acaba, sentimo-nos envergonhados?

A respeito disso queixou-se Deus por meio do profeta Ezequiel: “Portanto, isto diz o Senhor Deus: Visto que te esquecestes de mim, e me lançaste para trás das costas, carrega tu também com a tua maldade e com as tuas fornicações” (Ez 23, 35). São Tomás diz que, por meio de cada vício, particularmente pelo vício da impureza, os homens são afastados para longe de Deus: “Per luxuriam maxime recedit a Deo” (Job, cap. 31).

[…]


S. Afonso de Ligório, ‘On Impurity’ [Sobre a impureza], em Sermons for all the Sundays in the Year [Sermões para todos os domingos do ano]. Dublin: James Duffy, 1882, pp. 338-339. Sermão para o 16.º Domingo após Pentecostes. — Trecho.


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