Breve meditação sobre a Paixão de Cristo

Não se podia realmente inventar outro gênero de morte que superasse a crucificação, seja em desonra, seja em crueldade. Era costume aplicá-lo aos maiores perversos e criminosos.


Catecismo Romano | Por Pascom · 28 de março de 2018


O PRELÚDIO NO HORTO

FORAM cruéis as dores da Paixão. Isoladamente, bastaria levar em conta o suor que, do Corpo do Senhor, “corria até a terra em gotas de sangue” (Lc 22, 44), quando Ele se pôs a considerar os horrorosos tormentos que pouco depois teria de sofrer.

Desse fato, cada um de nós já pode compreender como aquela dor atingia o máximo grau de intensidade. Ora, se apenas refletindo nos males que o ameaçavam, Jesus se tomou de tanta angústia (como se vê pelo suor de sangue), que não terá sido para Ele a Paixão propriamente dita? Não resta a menor dúvida de que Cristo Nosso Senhor realmente sofreu as maiores dores tanto no corpo, como na alma.

Dores máximas no corpo…

Em primeiro lugar, não houve parte do corpo que não sentisse dores extremas. As mãos e os pés, eis aqui fixados com pregos no lenho da Cruz; a cabeça, eis aqui ponteada de espinhos e ferida com uma cana; o rosto, eis aqui desfeito de escarros e moído de pancadas; o corpo todo, eis aqui enfim derreado, curvado de açoites.

…quanto aos algozes

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De mais a mais, homens de todas as raças e condições “conspiraram contra o Senhor e contra o Seu Ungido” (Sl 2, 2). Eram pagãos e judeus os que instigaram, promoveram e executaram a Paixão de Cristo. Judas traiu-o, Pedro renegou-o, todos os outros Discípulos o abandonaram.

…quanto à cruz

Na própria Cruz, que temos de lamentar mais vivamente? A crueza das dores, a afronta da pena capital, ou ambas as coisas ao mesmo tempo?

Não se podia realmente inventar outro gênero de morte que superasse a crucificação, seja em desonra, seja em crueldade. Era costume aplicá-lo aos maiores perversos e criminosos. A lentidão da agonia na Cruz tornava mais intensa a sensação das dores e torturas que, em si mesmas, já eram — muito além da medida — violentas.

…quanto à constituição do Seu corpo

O que fazia aumentar ainda mais a intensidade das penas, era a própria constituição do corpo de Jesus Cristo. Formado pela virtude do Espirito Santo, era muito mais perfeito e delicado do que jamais pode ser o organismo dos outros homens. Tinha, portanto, maior sensibilidade; sofria mais vivamente todas as grandes torturas.

DORES MÁXIMAS NA ALMA

O maior martírio…

Quanto à dor intima da alma, ninguém pode contestar que Cristo a sentiu no máximo grau de intensidade. Aos Santos, que padeciam dores e tormentos, Deus nunca lhes recusou consolações espirituais, para que pudessem encarar inabaláveis a violência do martírio.

Muitos houve, entre eles, que até exultavam de íntima satisfação. De si mesmo dizia São Paulo: “Regozijo-me em tudo quanto devo sofrer por vós; e na minha carne completo o que falta aos sofrimentos de Cristo, a bem de Seu corpo que é a Igreja” (Cl 1, 24). E noutro lugar: “Estou cheio de consolação, e transbordo de alegria no meio de todas as nossas tribulações” (2 Cor 7, 4).

…sem a menor consolação

Cristo Nosso Senhor não quis, porém, temperar com nenhum alívio o cálice que bebeu, na amarga aflição da Paixão (Mt 26, 39; Sl 68, 21; Sl 141, 5; Lc 22, 42). Tendo assumido a natureza humana, a fez sentir todos os tormentos, como se Ele fosse puro homem, e não Deus ao mesmo tempo.

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Em — ‘Do Símbolo dos Apóstolos’, Catecismo romano (trad. do latim por Frei Leopoldo Pires Martins, O.F.M., nova edição, Anápolis, Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2006), capítulo quinto, pp. 127-128. [1ª ed. brasileira: 1951; 1ª ed. romana: 1566.] — Adaptado sem distorções.


 

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