A loucura de dar um smartphone
para o seu filho

Não dê aos produtores de pornografia a entrada franca que procuram nos seus filhos


Jonathon Van Maren | Tradução Equipe Pascom · 1 de maio de 2018


ESTADOS UNIDOS, LifeSiteNews — Depois de ficar quatro dias na Cúpula da Coalização Para o Fim da Exploração Sexual, na cidade de Houston, no Texas, meu cérebro está muito cansado. Escutamos palestras sobre neurociência, tráfico humano, abuso sexual, exploração infantil, e muito mais. E escutamos muitas e muitas palestras sobre certo veneno que está se infiltrando por toda a parte, estimulando abusos sexuais, destruindo relacionamentos, estragando o poder de ação dos homens e apagando a infância: a pornografia.

Escreverei muito mais sobre as coisas que aprendi na Cúpula da Coalizão, mas, por ora, gostaria de dirigir um simples apelo aos pais, algo a que quase todo palestrante e conferencista nos exortava: não dê smartphones para os seus filhos.

É uma loucura pensar que, uma década atrás, smartphones eram incomuns. Muitas pessoas sequer tinham um simples telefone celular. Agora, como soubemos pela Sra. Nancy Jo Sales, jornalista da revista Vanity Fair e autora do livro Garotas americanas: mídia social e vida secreta das adolescentes (sem tradução para o português) — agora sabemos que quase toda interação social, e sexual, é moldada pelos pequeninos e sempre tilintantes dispositivos que nossos jovens carregam para onde quer que vão. Isso deu origem ao bullying cibernético e a uma série de suicídios; fez surgir mensagens pornográficas por celular; causou a exploração sexual de adolescentes por adolescentes e uma quase ininterrupta visualização e produção amadora de pornografia. Adolescentes — e crianças — são atraídos para as “redes” sociais, cuidadosamente tecidas, que vão de Facebook a Instagram, de Snapchat a outra meia-dúzia de aplicativos virtuais sigilosos; e são atraídos para interações e conteúdos cuja moderação é “realizada” pelas próprias crianças que os superlotam, inteiramente livres da supervisão dos pais ou de adultos.


Os pais não conseguem controlar o mundo dos adolescentes. Muitas vezes, sequer conseguem penetrá-lo.


Os adolescentes sabem quanto essas coisas estão tornando miseráveis as suas vidas. Assim disseram as jovens com quem a jornalista Nancy Jo Sales conversou. Elas também confessaram que não têm como se afastar disso. Muito da vida, hoje em dia, está sendo vivido on-line, e escolher não participar significa arcar com o isolamento. As moedas de troca, nesses ambientes virtuais, são geralmente fotografias ou “selfies” de nudez ou sexualmente explícitas, e, cada vez mais, também isso não é opcional, mas obrigatório.

Os pais não conseguem controlar o mundo dos adolescentes. Muitas vezes, sequer conseguem penetrá-lo. Eis por que um homem, certo dia, ficou perplexo quando sua filha tirou a própria vida, depois que um adolescente cruelmente publicou um vídeo em que ela se expunha. Para os pais que desejam defender seus filhos desta selva cibernética ou poupá-los do medo que abocanha milhões de outros jovens, digo que há, sim, uma série de respostas: comunicação aberta e conversas abertas; procurar supervisionar o uso das redes sociais; softwares de controle parental e filtros de conteúdo, instalados em todos os dispositivos tecnológicos.

Mas, por hoje, gostaria de propor apenas uma coisa: não dê smartphones para os seus filhos.

Esse conselho me tornou impopular em alguns círculos. Certa vez, numa apresentação em uma Escola Secundária, um adolescente me saudou com um impiedoso “então foi você quem disse aos meus pais que eu não deveria ter um celular”. Mas é essencial. As crianças, e a maioria dos adolescentes, não necessitam de um telefone que lhes dê acesso à internet. Elas não necessitam de acesso contínuo às redes sociais, que as coloque sob a influência dos seus pares, em vez da influência dos adultos. Elas não necessitam da pressão social que, inevitavelmente (inevitavelmente!), surge quando entram num mundo virtual povoado de adolescentes, impregnados de novos padrões de conduta e de novas moedas de troca. E, acima de tudo, elas não devem ter acesso à pornografia que a internet quer lhes oferecer, esse material vil que está impondo novas condutas sexuais, com as quais os adolescentes de todo o mundo estão começando a se conformar, por meio de muitas pressões, por meio da força ou simplesmente por escolha.


Quase toda interação social, e sexual, é moldada pelos pequeninos e sempre tilintantes dispositivos que nossos jovens carregam para onde quer que vão.


Nesse final de semana, na Cúpula da Coalização, escutei dezenas de histórias de pais que pegaram seus filhos assistindo a pornografia pesada em smartphones. Essas crianças, mais jovens que a antiga faixa etária de exposição à pornografia (que era de 11 anos), têm agora nove anos nesse contexto. Essas crianças, por momentos espantosos e horripilantes, são roubadas de sua própria infância. Seu mundo muda naquele exato momento. Elas não podem “desver” o que viram. Mas, em primeiro lugar, elas podiam não ter acesso a essas coisas.

Não dê smartphones para os seus filhos.

Compreendo que os adolescentes sejam mais propensos a realmente necessitar de um telefone celular. Meus pais me deram um celular quando tirei minha carteira de motorista, não para que eu interagisse com meus amigos ou ficasse on-line, mas para que eles pudessem entrar em contato comigo; e assim, quando eu estava fora, tinha um meio para me comunicar com as pessoas. Meus primeiros celulares não tinham capacidade de acesso à Internet, coisa aliás que não me fazia falta. Algumas vezes desejaria que meu atual telefone não tivesse internet, porque sou tão culpado quanto o resto de nossa geração, perdendo tempo em meu telefone, quando poderia fazer algo mais produtivo, ou realmente qualquer outra coisa boa. Mas quando adolescentes necessitam de um telefone, ainda assim não precisam de um telefone com acesso à internet. Um telefone que lhes permita fazer chamadas telefônicas ou escrever mensagens, esse é bom o suficiente. Eles não precisam de conexão ininterrupta com as redes sociais, não necessitam de SnapChat (um aplicativo utilizado para “sexting”, “sexo por celular”, que destrói fotografias em segundos), e absolutamente não devem ter acesso à pornografia que, quase inevitavelmente, encontrarão.

Não dê aos produtores de pornografia a entrada franca que procuram nos seus filhos. Eles sabem que crianças e adolescentes tendem a encontrar pornografia por meio de telefones, motivo pelo qual, nos últimos anos, fizeram esforços hercúleos para que esses vídeos fossem vistos e distribuídos em dispositivos móveis. Eles sabem como se infiltrar nos seus filhos — por meio de um smartphone.

Não dê nenhum para eles.

Coalition to End Sexual Expoitation Summit 2016
Logo da “Terceira Cúpula Anual da Coalizão Para o Fim da Exploração Sexual”, realizada em Houston, 2016. — A Cúpula de 2018 já ocorreu (com 70 especialistas).

Jonathon Van Maren é escritor e ativista pró-vida canadense


Publicação autorizada por/Publication authorized by LifeSiteNews.com. — Fonte: Jonathon Van Maren, ‘Horror stories are real. Don’t give your children a smartphone’, LifeSiteNews, Front Royal, 4 out. 2016.


 

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